sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
DFW
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Libertação
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Sobre a fraternidade
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Nascer do alto
sábado, 26 de março de 2011
Sobre o sono
sexta-feira, 18 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
Lucas 18:17
sexta-feira, 4 de março de 2011
A justificativa da chatice
Caetano, no documentário Coração Vagabundo [2009, direção de Fernando Grostein Andrade]. Engraçado. No mesmo dia, vi Don’t Look Back, documentário sobre a turnê londrina de 1965 do citado Dylan e percebi como há dois modos de chatice incongruentes: o chato que é chato por falar demais de si mesmo, e o chato que é chato por falar demais.
A Revista Wave não existe mais.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Guarda-louça
Sob o ornato angular ameiado,
Vê-se o assoalho de polido parquê;
Frisos e gravuras, templo grego
Dietrich não percebe, não lê,
Relíquia oitocentista, alê, alê
Aleluia, alê
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
"Não compreendo"
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Resumo de tudo
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
A utilidade do jornalismo
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
O grande segredo da análise literária
sábado, 25 de setembro de 2010
Um belo estilo conduz a belas ações
"Settembrini perguntou se os primos já tinham ouvido falar do Sr; Brunetto, de Brunetto Latini, escrivão municipal de Florença, por volta de 1250, e autor de um livro sobre virtudes e vícios. Esse mestre fora o primeiro a esmerilar a cultura dos florentinos e a ensinar-lhes a oratória bem como a arte de dirigir a sua república conforme as regras da política. – Aí está, meus senhores! – exclamou Settembrini. – Aí está! – E passou a falar do “verbo”, do culto do verbo, da eloquência, que qualificou de triunfo da humanidade. Pois o verbo era a honra dos homens, e soe ele tornava a vida digna de seres humanos. Não somente o humanismo, mas também a humanidade em geral, toda dignidade humana, todo respeito pelos homens e toda estima que eles sentiam de si próprios, eram inseparáveis do verbo, e por conseguinte, da literatura. E dessa forma – prosseguia o italiano – achava-se também a política ligada a literatura, ou melhor: tinha a sua origem na aliança, na fusão da humanidade e literatura, já que a bela palavra gerava a bela ação. – Faz dois séculos – disse Settembrini – vivia no país dos senhores um velho poeta, um excelente conversador, que atribuía suma importância à beleza da caligrafia, porque, segundo a sua opinião, esta conduzia à beleza do estilo. Deveria ter ido um pouco mais longe e dizer que um belo estilo conduz a belas ações. – Pois, escrever bem já era quase pensar bem, e dali a agir bem não havia muita distância. Toda moralidade e todo aperfeiçoamento moral se derivava do espírito da literatura, desse pundonor humano que era ao mesmo tempo o espírito da humanidade e da política. Sim, tudo isso era uno e indivisível, era uma e a mesma força e ideia, e podia ser resumido num único termo. Qual era esse termo? Ora, ele se compunha de sílabas familiares cujo significado e cuja majestade os primos, sem dúvida, nunca haviam compreendido. Seu nome era: civilização! E ao pronunciar essa palavra, Settembrini ergueu a amarelada mãozinha direita como quem faz um brinde".
Há na música um elemento perigoso, senhores
“E a música? O senhor não me perguntou se eu era amante da música? Bem, se o senhor usou a palavra “amante” não escolheu mal a expressão, porque ela tem um quê de frivolidade afetuosa. Pois é, estou de acordo. Sim senhor, sou amante da música, o que significa que a estime particularmente, assim como estimo e amo, por exemplo, a palavra, o veículo do espírito, o utensílio e o resplandecente arado do progresso... A música? Representa ela tudo o que existe de semi-articulado, de duvidoso, de irresponsável, de indiferente. O senhor talvez me objete que ela pode ser clara. Mas também a Natureza pode ser clara; também um arroio o pode ser, e que nos adianta isso? Não é essa a clareza verdadeira; é uma clareza sonhadora, despida de significação, uma clareza que a nada obriga nem chega a ter conseqüências; é perigosa porque induz a gente à complacência satisfeita... Suponhamos que a música tome ma atitude de magnanimidade. Bem, nesse caso, ela inflamará a nossa razão. Aparentemente a música é toda movimento, e contudo suspeito nela o quietismo. Permita que eu leve a minha tese ao exemplo: tenho contra a música uma antipatia de caráter político”.
“Mesmo assim, convém ponderar a ideia. A música é inestimável como meio supremo de produzir entusiasmo, como força que faz avançar e subir, mas só para pessoas cujos espíritos já estejam preparados para os seus efeitos. Porém, é indispensável que a literatura a preceda. Sozinha, a música não é capaz de levar o mundo avante”.
“O senhor definiu muito bem um fator incontestavelmente moral na natureza da música; a saber, que ela mede o curso do tempo de uma forma especial e cheia de vida, e assim lhe empresta vigilância, espírito e preciosidade. A música desperta o tempo; desperta a nós, para tirarmos do tempo um gozo mais refinado; desperta... e portanto é moral. A arte é moral na medida em que desperta. Mas que sucede, quando ela faz o contrário? Quando entorpece, adormenta, estorva a atividade e o progresso? Também disso a música é capaz; sabe perfeitamente agir como opiato. Uma influência diabólica, meus senhores! O opiato é uma obra do Diabo, porque causa apatia, estagnação, passividade, inatividade servil... Há na música um elemento perigoso, senhores. Insisto no fato de sua natureza ambígua. Não exagero declarar que ela é politicamente suspeita”.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
# editorial nº 026
Formalmente, esta é a última edição da Revista Wave. O que não significa que o site deixará de ser atualizado. O formato atual de edições, no entanto, não deve ser mantido. É preciso assumir que já não existia periodicidade alguma, e determinadas seções tem recebido tratamento, digamos, excessivamente diferenciado. A partir de agora, os textos serão publicados de maneira esparsa, sem regularidade definida.
Minha relação com a prática jornalística – que era a base fundamental da concepção original da Revista Wave – deteriorou-se ao ponto do quase desprezo total. Procuro novas linguagens de expressão, e a literatura me parece a maior delas. A sistematização do jornalismo apenas me desgasta, e tenho buscado afastá-la de meus textos. Consequentemente, não me parece haver sentido em prosseguir com as antigas pretensões.
Aquele abraço, e que Deus nos abençoe
Daniel Faria
Editor-chefe da Revista Wave
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Amore bambino
sábado, 7 de agosto de 2010
A monotonia do realismo
quinta-feira, 1 de julho de 2010
# editorial nº 025
Não, não se pode jamais culpar o descaso dos eventuais leitores por problemas de ordem, digamos, estruturais. Na verdade, foram questões profissionais, amorosas e acadêmicas deste fim de semestre que tornaram minhas horas livres um artigo de luxo, e assim como o rei inglês Carlos Stuart, andei perdendo a cabeça, graças a esses obsessivos republicanos que não acreditam no poder divino da preguiça.
Não à toa, para completar esta edição tive que readaptar dois trabalhos feitos para a UNESP e postá-los publicamente agora. O primeiro deles é a entrevista realizada com o jornalista Alex Antunes, o “Nelson Motta do pós-punk” e uma das mais carismáticas figuras do jornalismo cultural brasileiro. Alex é um desconstruidor, uma vida-síntese contrária àquilo que ele classifica constantemente como “realidade consensual”. Vale sempre a pena ouvi-lo/lê-lo.
O outro trabalho é uma resenha para o livro Casei Com um Comunista, de Philip Roth, que ao lado da resenha de Os três estigmas de Palmer Eldritch, de Philip K. Dick, demonstra uma proposta já tradicional da Revista Wave: indicar valorosas obras literárias para seu público, inéditas ou não. Os dois escritores, aliás, são citados na entrevista com Alex como autores de livros que leem o leitor e o tornam melhor. “Você acontece dentro do texto ao mesmo tempo em que o texto acontece dentro de você”.
Esperamos – e trabalharemos cada vez mais para isso – que, em algum momento, possamos atuar da mesma maneira com os nossos leitores. Em época de Copa do Mundo ou não. E fica meu palpite: acredito que a seleção da Alemanha, dos jovens craques Özil e Müller, será a campeã deste ano. Torcerei para isso.
Aquele abraço, e que Deus nos abençoe.
Daniel Faria
Editor-chefe da Revista Wave
