“Em resumo, as esquisitices chocam apenas as pessoas comuns. É por isso que as pessoas comuns tem uma vida muito mais instigante; enquanto as pessoas esquisitas estão sempre se queixando da chatice da vida. É por isso também que os novos romances desaparecem tão rapidamente, ao passo que os velhos contos de fadas duram para sempre. Os velhos contos de fadas fazem do herói um ser humano normal; suas aventuras é que são surpreendentes. Elas o surpreendem porque ele é normal. Mas no romance psicológico moderno o herói é anormal; o centro não é central. Consequentemente, as mais loucas aventuras não conseguem afetá-lo de forma adequada, e o livro é monótono. Pode-se criar uma história a partir de um herói entre dragões, mas não a partir de um dragão entre dragões. O conto de fadas discute o que um homem sensato fará num mundo de loucuras. O romance realista sóbrio de hoje discute o que um completo lunático fará num mundo sem graça”.
G. K. Chesterton, em O Maníaco, ensaio presente no livro Ortodoxia.