Ainda sobre o livro de Jó, G. K. Chesterton, o autor de Introdução ao livro de Jó, reproduzido na última edição da Revista Wave, compara-o positivamente à Ilíada em O Homem Eterno, no capítulo "Deus e as religiões", sobre o legado de Israel para a humanidade, e reforça o conceito-síntese de sua obra, a saber, que o homem é confortado, sobretudo, pelos seus paradoxos. Selecionei um breve trecho:
“A antiguidade ignorou Israel. E, não obstante, quantos elementos da tradição de Israel, que são hoje do patrimônio humano, poderiam sê-lo desde então! Tal, o livro de Jó, uma das pedras angulares do universo, que domina a 'Ilíada' e a tragédia grega, e nos apresenta, muito melhor que elas, o encontro matinal da sabedoria e da poesia na encruzilhada de seus caminhos. É um espetáculo saudável e solene ver esses eternos imbecis, o otimista e o pessimista, amesquinhados, ambos, desde a aurora dos tempos. A ironia dos grandes trágicos encontra no livro de Jó o seu desenlace místico: ao mistério não responde senão com o mistério, e Jó, consolado por enigmas, sente-se consolado. Símbolo profético, pois, onde o espírito que duvida não sabe mais que repetir: 'Não compreendo'; e o que sabe não pode senão replicar: 'Não, tu não compreendes'. E esta exprobração desperta, sempre, no fundo do coração, como uma esperança súbita, o sentimento que se quisera compreender.